quinta-feira, 8 de abril de 2010

Rio, Rio.


Eu desejei tanto a chuva para me banhar, que recebi de aniversário um presente trágico. O meu aniversário foi um riso tragicômico, meio Machado de Assis. E fizeram questão de frisar :" - Que presentão de aniversário, hein."
Por mais que todas as pessoas que eu amo tenham se lembrado de mim, me fazendo sentir especial, eu não consigo me esquecer da imagem daquele pai que perdeu os seus filhos para a terra descontrolada, aquelas pessoas já tão sofridas vendo as suas vidas enterradas sob os escombros. Perder o seu teto, é se sentir nu. E debaixo daquele teto totalmente enlamaçado, famílias enlamaçadas ficaram. Ainda os culpam por morarem ali, os culpam da sua pobreza imposta. Então, onde eles morariam? A rua já está superlotada, pelo menos eles tiveram dignidade de ter um lar,construídos por eles, com o dinheiro miserável desse salário mínimo desumano. E ficamos todos na expectativa do sol firmar, o governo do Rio até renovou um contrato com um mulher que incorpora um Cacique que controla o clima, parece até os meus sonhos mais bizarros essa realidade dura. Ainda tem quem fale " eu sobrevivi o dia 06/04/2010", eu nasci no dia 06/04, sentimentos completamente diferentes.O Rio, cidade dos sorrisos, agora é o Rio do luto profundo e no peito de quem mora por ali, fica a incerteza do amanhã.

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